quarta-feira, 24 de março de 2010

Classificação das rochas sedimentares

As rochas sedimentares podem ser consideradas biogénicas, detriticas ou quimiogénicas.

Rocha biogénica

Rocha sedimentar formada por restos de seres vivos ou por substâncias provenientes da sua decomposição - sedimentos biogénicos. As rochas biogénicas podem, também, ser designadas quimiobiogénicas, uma vez que é difícil distinguir, em determinadas situações, os processos inorgânicos dos bioquímicos.
Os calcários biogénicos e as rochas carbonáceas, como os carvões e os petróleos, constituem exemplos deste tipo de rochas:
- Os calcários biogénicos formam-se, essencialmente, pela acumulação de partes esqueléticas de seres vivos, ricas em carbonato de cálcio, ou por reacções de precipitação, mas iniciadas pela acção dos seres vivos. Os depósitos de carbonato de cálcio sofrem diagénese, originando rochas consolidadas.
- As rochas carbonáceas têm uma origem verdadeiramente orgânica ou biogénica. No seu processo de formação ocorre intervenção directa de matéria orgânica, resultante de seres vivos, sujeita a alterações químicas.


Rocha quimiogénica

Rocha sedimentar formada a partir de um processo de precipitação de substâncias químicas dissolvidas numa solução aquosa - sedimentos quimiogénicos. A precipitação destas substâncias pode dever-se à evaporação da água, formando-se cristais que se acumulam e que constituem os evaporitos. Também se pode dever a outras reacções químicas desencadeadas pela alteração das condições do meio.
Alguns exemplos importantes de rochas de origem química são os calcários de precipitação (exemplo: travertino) e as rochas salinas (evaporitos como o gesso e o sal-gema).

Rocha detrítica

Rocha sedimentar, também designada por rocha detrítica, que se forma a partir de fragmentos sólidos ou por detritos obtidos pela meteorização e erosão de rochas preexistentes - os sedimentos detríticos.
As rochas sedimentares detríticas classificam-se em dois tipos: as detríticas não consolidadas e as detríticas consolidadas.
As rochas sedimentares detríticas não consolidadas correspondem a depósitos de sedimentos que não sofrem diagénese. Incluem-se neste grupo:
- Balastros, sedimentos com formas e dimensões muito variadas que ficam progressivamente mais rolados (blocos, seixos, calhaus, godos, cascalho e areão).
- Areias, rochas desagregadas de pequenas dimensões (entre os 1/16mm e os 2 mm), com composição variada, o que fornece indicações sobre os materiais que as constituem e sobre os processos de formação. As areias podem ser calcárias (brancas) ou basálticas (negras), embora as areias mais comuns sejam as quartzosas, de cor clara.
- Siltes, partículas de dimensões reduzidas (entre 1/16 e 1/256 mm), que se depositam por correntes de baixa energia.
- Argilas, materiais de dimensões reduzidas (inferiores a 1/256 mm), finos e pulverulentos, onde predominam os chamados minerais de argila.

O grupo das rochas sedimentares detríticas consolidadas engloba:
- Rochas conglomeráticas, que resultam da cimentação de calhaus rolados que formam rochas consolidadas; a matriz inclui elementos de menores dimensões aglutinados pelo cimento (ex.: brechas).
- Arenitos, também designados por grés, que resultam da consolidação de areias. Possuem, geralmente, apenas um tipo de mineral, sendo o quartzo o mais abundante. Tendo em conta a natureza do cimento, os arenitos são chamados arenitos siliciosos, arenitos argilosos, arenitos calcários e arenitos ferruginosos.
- Siltitos, que resultam da consolidação de siltes, apresentando uma composição mineralógica variável.
- Argilitos, com origem na consolidação de argilas formadas pela meteorização química de vários silicatos. Quando puros, os argilitos são bancos e designam-se por caulino. Normalmente, apresentam minerais associados, como feldspatos, micas e até quartzos.



Referências

Imagem
http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://i197.photobucket.com/albums/aa29/sarajkl/tabelarochasdetriticas.jpg&imgrefurl=http://e-porteflio.blogspot.com/2009/03/classificacao-das-rochas-sedimentares.html&usg=__7RjyjcdPbBZqLHt-PNuaAOB2V4s=&h=479&w=570&sz=62&hl=pt-PT&start=7&um=1&itbs=1&tbnid=og9bRgbRA639NM:&tbnh=113&tbnw=134&prev=/images%3Fq%3Descala%2Bgranulometrica%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DX%26rlz%3D1R2ADSA_pt-PTPT342%26tbs%3Disch:1


rocha sedimentar detrítica. In Diciopédia 2008 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2007. ISBN: 978-972-0-65263-8


rocha quimiogénica. In Diciopédia 2008 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2007. ISBN: 978-972-0-65263-8


rocha biogénica. In Diciopédia 2008 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2007. ISBN: 978-972-0-65263-8

Processos e materiais geológicos importantes em ambientes terrestres

As rochas são consideradas unidades estruturais da crusta e do manto que possuem características próprias, sendo formadas, em regra, por um ou por vários minerais associados. Exemplo de rocha: granito (constituido por quartzo, feldspatos e micas).

Os minerais são corpos sólidos, naturais (formados por processos geológicos), com estrutura cristalina, inorgânicos e com uma composição química definida ou variável dentro de certos limites. Exemplo de mineral: halite (NaCl).

A natureza das partículas elementares, as ligações entre elas e a forma tridimensional da rede cristalina conferem a cada mineral determinadas propriedades que permitem, em alguns casos através de meios de análise sofisticados, fazer a sua identificação.
Outras propriedades dos minerais são de fácil detecção e podem ser realizadas no decorrer de saídas de campo ou em testes laboratoriais simples. As propriedades dos minerais podem ser
físicas ou químicas.
Entre as propriedades físicas mais utilizadas na identificação de minerais, podem destacar-se:
-> as propriedades ópticas (cor, brilho e risca);
-> as propriedades mecânicas (dureza, clivagem e fracturas);
-> a densidade (absoluta e relativa).
Entre as
propriedades químicas, podem destacar-se:
-> teste do sabor salgado;
-> teste da efervescência.


Cor dos minerais

--> Idiocromáticos - cor própria não variável - verde da malaquite, amarela na pirite;
--> Alocromáticos - cor variável - o quartzo pode ser incolor, branco, amarelo e rosa.


Fig. 1 - Minerais com cor constante (idiocromáticos)


Fig. 2 - Mineral com cor variável, ou seja, não constante (alocromático).

Risca ou traço

--> Cor do mineral quando reduzido a pó por vezes diferente da cor do mineral;
--> Determina-se raspando o mineral numa placa de porcelana;
--> Os minerais alocromáticos possuem risca clara ou incolor.

Fig. 3 - Risca ou traço (hematite).

Brilho

--> Luz reflectida numa superfície de fractura recente do mineral;
--> Brilho metálico (semelhante ao dos metais - galenite, pirite);
--> Brilho não metálico (quartzo, feldspatos).


Fig. 4 - Brilho metálico, sub-metálico e não metálico.

Clivagem

--> O mineral fractura-se por planos paralelos entre si com superfícies brilhantes;
--> Os planos de clivagem resultam de ligações químicas entre as partículas mais fracas em determinadas direcções da rede cristalina. O mineral divide-se segundo essas direcções;

Fig. 5 - Superficies de clivagem.


Fractura

--> O mineral divide-se segundo superfícies irregulares, dando origem a fragmentos de superfícies irregulares e de diferentes tamanhos;
--> As partículas da rede cristalina estão submetidas a forças fortes em todas as direcções.

Dureza

--> Relativa - medida segundo uma escala crescente de dez termos - escala de Moshs. Determina-se riscando uma amostra num dos minerais da escala e vice-versa.
--> Um mineral que risque e seja riscado por em termo da escala, ou se não se riscarem entre si, possui a mesma dureza relativa;
--> Um dado mineral produz um sulco, risca em todos os termos da escala de menor dureza e é riscado por todos os que possuem dureza superior.


Fig. 6 - Escala de Mohs.

Densidade

--> Absoluta:
> Massa volúmica (g/cm3);
> Depende da massa das partículas e do arranjo das mesmas na rede tridimensional.
--> Relativa:
> Densidade relativa à densidade da água, que se considera igual a 1 (1g/cm3);
> A densidade relativa calcula-se usando uma balança de Jolly. Determina-se o peso da amostra do mineral fora da água (P) e o peso da mesma amostra mergulhada em água (P');
> P - P' = valor da impulsão, peso da água corresponde ao volume da amostra. A densidade relativa obtém-se dividindo o peso da amostra fora da água (P) pelo peso da água correspondente ao mesmo volume (P-P').



Propriedades químicas

--> Teste do sabor salgado para a determinação da presença de halite (NaCl);
--> Teste da efervescência pelo contacto com um ácido. Certos minerais, como a calcite, reagem com os ácidos libertando CO2, o que provoca a efervescência. Este fenómeno ocorre a frio em determinados minerais e a quente noutros.


Fig. 6 - Efervescência produzida por um ácido, neste caso, ácido clorídrico (HCl)


Fonte: http://estudante-de-biogeo-11.blogspot.com/2009/03/processos-e-materiais-geologicos.html

terça-feira, 23 de março de 2010

Rochas Sedimentares

Rocha constituída pela estratificação de sedimentos com origens diversas. As rochas sedimentares formam-se, na superfície terrestre ou a pequenas profundidades, por um conjunto de processos geológicos que incluem duas etapas fundamentais: a sedimentogénese, em que ocorre a formação dos materiais que vão constituir as rochas sedimentares - sedimentos ou detritos, e a diagénese ou litificação, onde os sedimentos evoluem até formarem as rochas.
Embora a sua representação na crusta terrestre seja muito fraca (5% do seu volume), as rochas sedimentares recobrem uma extensa superfície, ocupando mais de 75% da área continental.
Existe uma grande variedade de rochas sedimentares, tanto na constituição, como no aspecto e nos processos de formação.
A classificação das rochas sedimentares baseia-se na sua composição química e na génese dos sedimentos que as originam.
Em geral, os elementos mais abundantes nas rochas sedimentares são o Si, Ca, Te, K, Mg, isto é, os mesmos que estão presentes na crosta terrestre, ainda que em proporções diferentes das rochas endógenas.
Na composição mineralógica das rochas sedimentares, podem distinguir-se os minerais herdados (alóctonos ou detríticos) e os minerais de neoformação (autóctores ou químicos);

  • Os denominados minerais herdados provêm directamente de rochas preexistentes, através de fenómenos de desagregação e transporte, sem terem sofrido qualquer alteração química. Estes minerais vão constituir as rochas sedimentares detríticas. O quartzo, os feldspatos, as micas, a limonite, a hematite, as anfíbolas, as piroxenas e a calcite são exemplos de minerais herdados.

  • Os minerais de neoformação são minerais novos que se formam durante a sedimentogénese ou a diagénese e que resultam da alteração química ou da precipitação de outros minerais. Exemplos de minerais de neoformação mais frequentes são a calcite, a dolomite, a sílica, os minerais de argila, a halite e o gesso.


Tendo em conta a fracção predominante nas rochas sedimentares, podem considerar-se três grupos: as rochas detríticas ou clástricas, que se formam a partir de sedimentos obtidos pela meteorização e erosão das rochas preexistentes; as rochas quimiogénicas, com origem em sedimentos quimiogénicos; e as rochas biogénicas, que resultam de sedimentos biogénicos.

Existem outras classificações para as rochas sedimentares, como, por exemplo: a classificação que tem por base a composição química, agrupando-as em rochas siliciosas, argilosas, calcárias, ferruginosas, etc.; aquela que se baseia na sua origem (rochas pluviais, eólicas, etc.); as classificações que recorrem à textura (considerando, por exemplo, o tamanho do grão); etc.
Um dos aspectos mais importantes, contudo, para o estudo e avaliação das rochas sedimentares é a estratificação, isto é, a forma peculiar como se colocam as camadas umas sobre as outras.


Referenciar documento
rocha sedimentar. In Diciopédia 2008 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2007. ISBN: 978-972-0-65263-8

Penacova: EN110 cortada devido a deslizamento de barreira


No dia 19 de março de 2010, o deslizamento de uma barreira levou ao corte da estrada nacional 110, que liga Coimbra a Penacova. O trânsito estava cortado nos dois sentidos. Fonte da GNR disse que não havia previsão do tempo de demora da reabilitação da circulação.
A queda da barreira ocorreu por volta das 07h30, ao quilómetro 6.1, próximo das localidades de Foz do Caneiro e Rebordosa, concelho de Penacova.


Fonte: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/estrada-cortada-barreira-transito-en110-tvi24/1148598-4071.html

Zonas de vertente

As zonas de vertente são locais de desnível da topografia terrestre, que podem ter um declive mais ou menos acentuado, encontrando-se muito expostas à acção intensa e rápida dos fenómenos erosivos. Devido às suas características, é frequente ocorrer nestas zonas movimentos descendentes de materiais do solo ou de materiais rochosos (movimentos em massa). Estes deslocamentos provocam o transporte de sedimentos e a dua deposição na base da vertente em zonas planas, normalmente um vale. As alterações verificadas nas zonas de vertente devem-se, essencialmente, a duas causas naturais: erosão hídrica, provocada pela água da chuva e movimentos de terrenos. É o acidente geológico que maior número de vítimas mortais provoca em cada ano.
Estes movimentos em massa resultam de factores naturais e de factores antrópicos:
  • Factores naturais:
--> da acção da gravidade;
--> da inclinação da vertente;
--> do tipo de rocha que constitui a encosta;
--> da pluviosidade e o teor de água do solo.
  • Factores antrópicos:
--> a desflorestação;
--> a construção de habitações e vias de comunicação, que ao cortarem a vertente a expõem aos factores ambientais, aumentando o risco de movimentos;
--> a saturação de água nos solos devido à rega excessiva na agricultura.







Bibliografia: Terra, Universo de Vida 2º parte Geologia- Biologia e geologia- 11º ou 12º (ano2) Amparo Dias da Silva/Fernanda Gramaxo/ Maria Ermelinda Santos/ Almira Fernandes Mesquita/ Ludovina Baldaia/ José Mário Félix/ Porto editora execução gráfica 2006

Algarve: marés vivas ameaçam mais habitações

Em dois meses, quase 30 casas de férias da Ilha da Fuzeta, no Algarve, foram destruídas por marés vivas e ondulação forte do mar.
A presidente da Sociedade Polis Ria Formosa, Valentina Calixto, afirmou que há 10 casas na Ilha da Fuzeta em risco de destruição pelo mar e que esse facto pode registar-se com as próximas marés vivas, previstas para a próxima segunda-feira, de acordo com as previsões meteorológicas.
A destruição das casas através de um fenómeno natural apenas veio antecipar a demolição programada pelo Polis Ria Formosa, não significando, contudo, um trabalho mais facilitado e económico para as autoridade responsáveis pela renaturização das ilhas da Ria Formosa, de acordo com o geólogo da Administração Hidrográfica Regional do Algarve, Sebastião Teixeira.
A operação de remoção do lixo e o seu carregamento para terra ficou mais dificultada, porque o lixo está mais disperso pela praia e pela Ria Formosa, explicou o geólogo, acrescentando que os destroços das casas podem aumentar o perigo para os pescadores durante o seu trabalho.
Valentina Calixto declarou que está a decorrer um processo de preparação para um concurso público de remoção dos destroços e das ruínas, cujo objectivo é retirar todo o lixo da praia e Ria Formosa até à Páscoa.

Fonte: http://www.tvi24.iol.pt/ambiente/01

Zonas costeiras

As zonas costeiras ou zonas da orla marinha caracterizam-se por um intensa actividade geológica provocada pelo mar. A acção mecânica das ondas, das correntes e das marés são importantes factores modeladores das zonas costeiras, cujos resultados são formas de erosão ou formas de deposição.
As formas de erosão resultam do desgaste provocado pelo impacto do movimento das ondas sobre a costa - abrasão marinha -, sendo mais notória nas arribas. As formas de deposição resultam da acumulação de sedimentos, salientando-se nas praias.
A abrasão marinha faz-se sentir, sobretudo, na base da escarpa em contacto com o mar, onde o material rochoso é retirado mais intensamente. Consequentemente, isto leva a um descalce da base da arriba, que, por acção do peso das camadas superiores, abate, originando no sopé da arriba um amontuado de blocos rochosos - a plataforma de abrasão.




Bibliografia: Terra, Universo de Vida 2º parte Geologia- Biologia e geologia- 11º ou 12º (ano2) Amparo Dias da Silva/Fernanda Gramaxo/ Maria Ermelinda Santos/ Almira Fernandes Mesquita/ Ludovina Baldaia/ José Mário Félix/ Porto editora execução gráfica 2006