terça-feira, 23 de março de 2010

Zonas costeiras

As zonas costeiras ou zonas da orla marinha caracterizam-se por um intensa actividade geológica provocada pelo mar. A acção mecânica das ondas, das correntes e das marés são importantes factores modeladores das zonas costeiras, cujos resultados são formas de erosão ou formas de deposição.
As formas de erosão resultam do desgaste provocado pelo impacto do movimento das ondas sobre a costa - abrasão marinha -, sendo mais notória nas arribas. As formas de deposição resultam da acumulação de sedimentos, salientando-se nas praias.
A abrasão marinha faz-se sentir, sobretudo, na base da escarpa em contacto com o mar, onde o material rochoso é retirado mais intensamente. Consequentemente, isto leva a um descalce da base da arriba, que, por acção do peso das camadas superiores, abate, originando no sopé da arriba um amontuado de blocos rochosos - a plataforma de abrasão.




Bibliografia: Terra, Universo de Vida 2º parte Geologia- Biologia e geologia- 11º ou 12º (ano2) Amparo Dias da Silva/Fernanda Gramaxo/ Maria Ermelinda Santos/ Almira Fernandes Mesquita/ Ludovina Baldaia/ José Mário Félix/ Porto editora execução gráfica 2006

segunda-feira, 22 de março de 2010

Relembrar o passado... ("Queda da ponte Hintze Ribeiro")

É sempre bom buscar provas daquilo que se tem vindo a falar, e como tal temos como uma boa prova, infelizmente, a tragédia ocorrida no nosso país à 9 anos atrás (no dia 4 de Março de 2001).



Um relatório, realizado por cinco especialistas em hidráulica e engenharia civil, apontou a extracção de areias no leito do rio Douro como a principal causa da queda da ponte de Entre-os-Rios, que provocou a morte de 59 pessoas.
No mesmo relatório foi referido que, já em 1988, o pilar número quatro da ponte não apresentava condições de segurança, em resultado da intensa extracção de areias, mas também de alguns fenómenos naturais. Estas responsabilidades foram mesmo quantificadas pelos técnicos que atribuiram 80 por cento de culpa à extracção de areias e 20 por cento a outros fenómenos, como as chuvas intensas.
De acordo com os especialistas, as extracções de areias efectuadas a montante da ponte geraram fundões que provocaram a instabilidade do leito do rio e contribuíram de forma decisiva para a queda do pilar da ponte Hintze Ribeiro. Os peritos concluiram que era previsível o descalçamento do pilar e que medidas de protecção podiam ter eventualmente evitado a queda da ponte de Entre-os-Rios.
No relatório os especialistas concluiram que quer o projectista encarregado do reforço da ponte, quer o dono da obra deviam ter encarado os estudos existentes à data de forma mais cuidada. Embora considerássem que a extracção de areias deixa cicatrizes profundas, os peritos não chegaram ao ponto de afirmar que esta foi excessiva.

Fonte: http://dossiers.publico.pt/dossier.aspx?idCanal=335

Bacias hidrográficas

Um Rio é um curso de água, superficial e regular que pode desaguar num outro rio, num lado, ou no mar, nascendo a montante e desaguando a jusante. É vulgar que um rio desde a sua nascente, local de maior altitude, onde se inicia a corrente de água, até à foz, onde desagua, receba a água de rios, ribeiros e riachos afluentes, que vão engrossando o seu caudal. A este conjunto formado pelo rio principal, pelos seus afluentes e pelos subafluentes designa-se por rede hidrográfica. Uma rede hidrográfica recolhe e escoa toda a água superficial de uma dada área geográfica que a limita, a bacia hidrográfica.

Existem três tipos de leito de um rio (espaço que pode ser ocupado pelas águas), nomeadamente o leito aparente, o leito de inundação e o leito de estiagem.
  • Leito do rio aparente/normal – terreno ocupado, normalmente, pelas águas.
  • Leito de cheia/inundação – espaço ocupado pelas águas em época de cheias, quando a pluviosidade é muito abundante.
  • Leito de seca/estiagem – zona ocupada pelas águas quando a quantidade destas diminui, por exemplo, durante o verão.


O trabalho geológico de um rio compreende três acções: a erosão, o transporte e a deposição ou sedimentação.
Erosão - consiste no desgaste e extracção de materiais do fundo do leito e das margens - os detritos - pela acção da corrente da água. Esta acção é mais intensa nas regiões junto da nascente, onde ocorrem maiores desníveis e a velocidade da corrente é maior. Os materiais rochosos soltos durante o processo erosivo vão ser transportados pelo rio para distâncias maiores ou menores, dependendo do tamanho dos fragmentos, do seu peso e da velocidade da corrente. Durante o transporte eles são desgastados e vão arredondando. O tipo de transporte varia entre:
a suspensão em água, a saltação, o rolamento e o arrastamento.



A ocupação humana dos leitos de cheia aumenta o risco geológico, no caso de uma subida inesperada e brusca dos níveis da água dos rios, o que se poderá traduzir em perdas de bens materiais e eventualmente de vidas humanas.
A intervenção humana nos processos de regularização e utilização dos caudais faz-se através de grandes obras de engenharia: construção de barragens, para fins agrícolas e abastecimento de água ou hidroeléctricas, construção de canais de irrigação ou de navegação. As barragens, por exemplo, alteram o perfil longitudinal do leito do rio, provocando alterações no transporte dos sedimentos, que tendem a depositar-se a montante dela. Para jusante, a força da água tende a erodir o fundo do leito. Outro factor de risco geológico associado às bacias hidrográficas é a extracção de inertes, pois isto pode provocar o aumento da acção erosiva e um desgaste do fundo do leito que pode conduzir ao descalçar de pilares de pontes e ao aumento de risco de derrocadas, bem como alterar as velocidades dos caudais de água com riscos de alteração dos perfis transversais do rio.

Bibliografia: Terra, Universo de Vida 2º parte Geologia- Biologia e geologia- 11º ou 12º (ano2) Amparo Dias da Silva/Fernanda Gramaxo/ Maria Ermelinda Santos/ Almira Fernandes Mesquita/ Ludovina Baldaia/ José Mário Félix/ Porto editora execução gráfica 2006

sábado, 20 de março de 2010

Sondagem: Falta de ordenamento do território na base da tragédia madeirense

Os problemas de ordenamento do território foram o factor preponderante na tragédia que afectou a Madeira, de acordo com os participantes da última sondagem do Ambiente Online. Cerca de metade dos inquiridos (57.6 por cento) afirma que a principal causa para as cheias da Madeira foi a ausência de um ordenamento do território adequado.
Sobre a mesma questão, 35.6 por cento dos participantes da sondagem acreditam que existem outros factores com mais influência. Por fim, apenas 6.8 por cento defendem que o ordenamento do território não teve qualquer ligação com os acontecimentos na ilha.

Em Fevereiro de 2010, fortes chuvas provocaram uma enxurrada na ilha da Madeira, causando cerca de 40 mortos. Vários especialistas afirmam, entretanto, que a ausência de acções de ordenamento do território pode ter contribuido para a diminuição da tragédia. A Madeira é a única região do País onde não existe reserva ecológica nacional (REN), um instrumento destinado a evitar, por exemplo, a construção em leitos de cheia.

Fonte: http://www.ambienteonline.pt/noticias/

sexta-feira, 19 de março de 2010

Aula de Campo Sobre Riscos Geológicos e Ocupação Antrópica

Este trabalho tem como objectivo descrever a aula de campo de Geologia da disciplina de Biologia e Geologia de 11ºano realizada no passado dia 11 de Março. Nesta aula fizemos um estudo dos riscos geológicos e ocupação antrópica de algumas zonas de Portugal Continental. Os locais visitados foram Arcos de Valdevez, Frades, Serra d’Arga, Esposende, Ofir e Apúlia.



Em Arcos de Valdevez, onde podemos observar uma bonita paisagem. O rio Vez é o rio que passa em Arcos de Valdevez, pertence à bacia hidrográfica do rio Lima e á região hidrográfica do Minho e Lima. A bacia hidrográfica é usualmente definida como a área na qual ocorre a captação de água (drenagem) para um rio principal e seus afluentes devido às suas características geográficas e topográficas.
Contudo o seu leito de cheia foi parcialmente ocupado. Leito de cheia é o espaço que é inundável em época de cheias. O seu caudal varia ao longo do ano, podendo apresentar períodos de estiagem e períodos de grandes caudais que podem originar cheias que provocam inundações. Com a ocupação antrópica do seu leito de cheia as consequências das possíveis inundações são muito mais graves, podendo ocorrer perdas matérias e nos piores casos, perdas de vidas humanas.


Em Frades verificou-se que, à algum tempo atrás, houve uma erosão da vertente mais propriamente um movimento de terras que teve consequências trágicas.



Esse acontecimento deu-se devido a um desgaste mais ou menos lento e gradual do solo e à sua saturação de água (não escoamento das águas ao longo da vertente) causado por elevadas precipitações, num longo período de tempo.
Por outro lado, a pouca vegetação arbórea e o tipo de rochas presentes neste local contribuíram também para este movimento de terras.
O forte declive da vertente veio confirmar que aquele local tinha um elevado risco geológico.
Desse incidente resultou um enorme buraco no solo, em que essas terras que se desprenderam foram parar junto as habitações mais próximas.
Dez anos depois ainda são visíveis as marcas do movimento de terras e ainda existem casas por recuperar.



A serra d’ Arga encontra se a 801m de altitude e aqui podemos encontrar grandes blocos de granito de formas arredondadas, dispostos isoladamente ou constituindo “Caos de Blocos”, um modelado típico das regiões graníticas.
Os blocos são penedos com varias dimensões, no geral são arredondados, assentes na superfície topográfica, e que por vezes encontra se em grande quantidade formando aglomerações designadas por caos de blocos. Estas formas apresentam uma grande dispersão geográfica, observando-se em todos os climas. Os caos de bloco são característica de rochas graníticas mas também podem ser formas por outro tipo de rochas. Os blocos como são característico dos granitos, originam preferencialmente em granitos de grão grosseiro, onde as fracturas apresentam-se em maior espaçamento, fracturados por diaclases ortogonais.
Estes caos de blocos formam-se como uma consequência da meteorização física e química do granito que são provocadas pela passagem da água das chuvas nas fendas - diaclases - dos granitos. Essas fendas existem em consequência da descompressão sofrida por estas rochas quando afloram à superfície.



Em Esposende podemos observar pelo menos um esporão. Um esporão é uma estrutura que tenta impedir que a erosão de praia seja notória, os esporões são apenas uma forma de defesa, apesar de estes poderem, também trazer algumas consequências para as praias a jusante. Contudo, os esporões são utilizados com alguma frequência.



Em Ofir, observamos as famosas Torres de Ofir. As duas Torres foram construídas por volta dos anos 70, tal construção foi permitida na altura devido à falta de leis que protegessem a orla costeira. Estas torres atraíam mais pessoas até aquela zona costeira de Portugal. Contudo, com o passar do tempo, o mar tem avançado sobre a praia e as torres estão em constante perigo de ruir, apesar das obras feitas para impedir que tal aconteça. Este risco, é também um efeito secundário dos esporões construídos a montante das torres, visto que fez com que a erosão nas praias de Ofir aumentasse.

Na praia d’ Apúlia observamos as dunas. Uma duna é uma montanha de areia criada a partir de processos eólicos, essencialmente. Dunas a descoberto como é o caso das que observamos na Apúlia estão sujeitas à movimentação e à mudança de tamanho. O vale entre as dunas é chamando de slack. Em resumo as dunas são montes de areia formadas pelo vento e pelo ma, não precisando de ser necessariamente grandes, pois muitas delas são bem pequenas. Nunca devemos destruir dunas, é um processo natural e deve ser preservado de maneira a estas perdurarem. As dunas para além de embelezarem as paisagens, também protegem as cidades do avanço do mar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Ocupação antrópica e os problemas de ordenamento

A ocupação desordenada e não planificada de áreas de elevado risco geológico, como leitos de cheia dos rios, arribas ou vertentes não consolidadas, pode conduzir ao surgimento de catástrofes que provocam elevados prejuíjoz humanos e materiais. A melhor forma de combater esses acidentes consiste em diminuir o risco deles acontecerem através de uma ocupação planeada, que tenha em conta a natureza das formações geológicas da área a ocupar e dos processos geológicos que conduziram à sua formação e que condicionam a sua evolução. A Geologia tem, cada vez mais, um papel importante na planificação e ordenamento do território, prevenindo os riscos de ocorrência de catástrofes.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O nascimento da geologia

Hoje nenhum de nós sonharia duvidar que a terra tem uma história e que essa história é mensurável, não em centenas, nem em milhares, mas em milhões de anos. Até ao século XVII as coisas eram muito diferentes: cálculos estimados com base nos relatos fornecidos pelas sagradas escrituras atribuíam à terra uma idade à volta de 6000 anos, fazendo coincidir o inicio da sua historia com a criação divina. A ideia de que fosse licito questionar e investigar o próprio passado da terra levou tempo a afirmar-se, sobretudo por motivos religiosos, e só se imporia definitivamente no século XVIII.
Um dos grandes problemas que acabou por impor uma séria reflexão sobre a historia do nosso globo foi a questão dos fosseis. O que eram aquelas estranhas rochas em forma de peixe, de concha e de folhas normalmente encontradas nas grutas, nos terrenos calcários ou no cume das mais altas montanhas? A ideia de que se tratava de seres orgânicos, e não "brincadeiras" de uma natureza que se divertia a reproduzir, também no reino mineral, as formas dos seres vivos, começou a adquirir consistência entre o fim do século XVI e a primeira metade do século XVII. Como era possível que peixes e conchas alcançassem o ponto mais alto das montanhas? E como é que estes seres se tornaram parte das rochas? Eram essas rochas originalmente líquidas? Foram perguntas deste tipo que levaram Robert Hook, Niels Stensen, Thomas Burnet e muitos outros a pensar que o aspecto da terra, longe de ter sido sempre igual ao de hoje, era o resultado de um longo processo de transformações, perturbações e catástrofes, cuja história convinha investigar em detalhe, estudando os fosseis como testemunhos deste passado.